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Calcei teus sapatos, como disse que jamais desejaria.

Calcei teus sapatos e te convidei para dançar, mas dancei sozinha. Sabia que a música era só minha, ainda assim, calcei teus sapatos e inventei melodia, como disse que não mais faria.

Calcei teus sapatos e me fiz menina que inventa passo, que dança solta, que desatina, calcei teus sapatos e dancei leve e linda como imaginei que não mais seria.

Calcei teus sapatos e estendi os braços mesmo sabendo que os teus não estenderias, calcei teus sapatos e rodopiei como pensei que não mais saberia.

Calcei teus sapatos e esperei teu abraço que faria de mim a bailarina que sonhei, mas tu não a querias.

Então tirei teus sapatos e segui descalça, como sempre soube que seguiria.

                                                                Autora: TICCIA



- Enviado por: Carol às 13h05
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A liberdade da vida solitária permite que você não dê satisfações do que faz ou sente pra ninguém. Permite que você pinte as paredes da cor que achar melhor. Permite que você faça bagunça ou arrume tudo como quiser. Permite que você passe dias sem comer, e depois peça uma pizza e a devore inteira. Permite que você visite quem quiser, se vista como quiser, paquere quem quiser. Conviver com os momentos, cheiros, gostos, manias, loucuras, irresponsabilidades da solidão pode ser muito interessante. Às vezes dá raiva, dá medo, dá uma nostalgia, uma vontade que tudo fosse diferente. Dá raiva do tempo que não parou quando tudo estava bem afinal... todas as ilusões são boas, até deixarem de ser ilusões e virarem realidade. O tempo traz consciência. Traz maturidade. E traz mudanças , é assim com as flores, com os animais, o asfalto da rua, e até as rochas. A vida é esse eterno vai e vem, começar e acabar, deixar ir e receber, morrer e renascerO tempo, a consciência, a mudança pesam e vem aquela sensação estranha de inadequação, de incômodo, de infelicidade.A morte é o que dá sentido a vida de qualquer ser, de qualquer coisa, qualquer relação, situação, a existência só existe para esperar por seu fim. E quando isso acontece, choramos, sofremos, suspiramos, sonhamos, nos despedimos. Passamos por um período de luto. Vestimos a alma de negro e ficamos na janela, com aquele olhar perdido, com o peito doendo de saudade, esperando a poeira assentar e o tempo colocar as coisas no lugar. E ele coloca. E aí vem aquela vontade de sair pra ver gente nova, e batalhar pra fazer a vida pulsar forte novamente.



- Enviado por: Carol às 14h24
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O filme "Time", de 2006, escrito e dirigido pelo coreano Kim Ki-Duk, primavera" e "Casa Vazia", fala de coisas que o tempo não cura.

Seh-Hee ama Ji-Woo loucamente, a ponto de não suportar que ele olhe para outra mulher, e vice-versa. Como se num olhar estivesse contida a promessa de amor e desejo que ela sente estar perdendo depois de dois anos de namoro. Por seus escândalos quase engraçados, percebemos o estado mental fragilizado em que Seh-Hee se encontra

Temendo que o namorado tenha enjoado da cara dela, Seh-Hee decide se submeter a uma cirurgia plástica para virar outra mulher. Por conta disso, esvazia seu apartamento e desaparece da vida do namorado, sem avisar. Acompanhamos então um homem angustiado e desamparado pelo abandono – Ji-Woo amava Seh-Hee.

Seis meses depois, cicatrizada e totalmente transformada, ela reaparece como See-Hee, garçonete do bar que Ji-Woo freqüenta. Os dois começam a sair juntos e a nova mulher consegue despertar o interesse do rapaz. No entanto, ele não esconde que ainda sofre pela namorada desaparecida e See-Hee começa a sofrer tremendamente de ciúmes dela mesma. O rosto mudou, mas sua alma, não.

Nesta hora, começamos a pensar na desesperada necessidade de beleza e na perda de identidade que ela acarreta às vitimas do hiper-modernismo – todos nós. E no quanto essa necessidade está na superfície e é incapaz de mudar as profundezas do ser humano, ao mesmo tempo em que, sim, muda. Quando compreendemos que não, não muda, e somos obrigados a amadurecer.

O filme mostra cenas difíceis de ver, quase violentas, de uma cirurgia plástica. Não há um nu, um ângulo sequer de corpo humano estetizado, e as cenas de sexo estão longe de ser excitantes. Mas há muito desejo, medo, loucura e obsessão, coisas que desde sempre fizeram parte do erotismo, do sexo, e desse outro sentimento, cujo nome anda tremendamente desgastado, que é a paixão.

É para se pensar...



- Enviado por: Carol às 12h39
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